Home

ALTERIDADES

Adriene Coelho
Diego Martins
Gilma Mello
Leandro Gutum
Mazé Martins
Régis Amora
Silvia F. Lima
Telio Pacheco

Alteridades

Não é fácil definir o conceito de “alteridade”, mais difícil é o exercício de se colocar no lugar do outro. Jamais saberei dizer o que uma pessoa sente em determinada situação que nunca vivi. E para dar conta desse incômodo, rapidamente transformo o outro em algo que já conheço. E igualmente rápido, perco a chance de descobrir algo novo e inédito, destruo a possibilidade do acontecimento, pelo hábito.

Suspender a expectativa e deixar o outro aparecer, me parece muito arriscado. Mas a arte existe para nos ajudar a aceitar o risco. E nós aqui, finalizando mais uma jornada do curso Dobras de Si, nos sentimos no lugar mais privilegiado: o lugar da escuta. Nos abrimos a surpresa do outro para que este apareça na sua singularidade e só colecionamos admiração. Percebemos que a coragem e a vontade de cada participante de embarcar nessa aventura que é desvendar o funcionamento desse dispositivo chamado “livro”, serviram o desejo de se expressar do jeito que se é. Não teve espaço para artifícios, teve o desafio aceito, de se encontrar.

Essa experiência, apesar de parecer tão individual, foi vivenciada no coletivo, e visões de mundo tão diversas se encontraram numa fronteira onde todos nós temos algo em comum, apesar de sermos tão diferentes.

O conjunto de trabalhos desenvolvidos foram frutos de novos caminhos conquistados pelo próprio grupo de artistas, entre muitas dúvidas e incertezas, mas sempre com a disposição e abertura para a experimentação.

Agradecemos a cumplicidade, a entrega e generosidade de cada participante que aceitou trilhar esse percurso com a gente, e convidamos você, visitante dessa exposição, a conhecer a rica experiência artística provocada por cada livro. Esperamos que lhe traga novas reflexões num momento tão desafiador como o que estamos vivendo.

Estela Vilela e Ana Francotti
– dezembro de 2021

Lives com os autores participantes da exposição:
→ Instagram @dobrasdesi

06/12 segunda-feira
18:30h – Leandro Gutum, livro A torre derrubada
19:10h – Telio Pacheco, livro Castelos e Ruínas

07/12 terça-feira
18:30h – Silvia F. Lima, livro BElas
19:10h – Gilma Mello, livro Invisíveis

08/12 quarta-feira
18:30 – Mazé Martins, livro Aldebarã
19:10 – Régis Amora, livro CINE CASA

09/12 quinta
18:30h – Adriene Coelho, livro Declaração Universal dos Direitos Humanos
19:10 – Diego Martins, livro ESTOU PRESENTE

Conversas com convidados especiais:
→ Canal Youtube Dobras de Si
15/12 quarta-feira – 19:00h – Letícia Lampert
16/12 quinta-feira – 19:00h – Rony Maltz

Exposição presencial:
Lovely House
25/01/2022 terça-feira (em breve mais informações)

Livros

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
ADRIENE COELHO

O livro de artista Declaração Universal dos Direitos Humanos constitui uma narrativa latinonamericana dos discursos de reivindicação e dos usos dos espaços públicos em cidades do Brasil, Chile e Argentina nos últimos anos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, embora exista desde 1948, é aquele assunto que todo mundo tem uma opinião, mas muitas vezes sabe pouco, afinal, são 30 artigos que contemplam temas amplos, por isso este projeto apresenta uma possibilidade de mergulho no assunto de forma clara, objetiva e poética. Pensando na portabilidade e circulação, o livro é bilíngue (PT – ES), tem formato de bolso e buscou responder a necessidades de economia de papel, lixo zero, e uso de materiais alternativos.

Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Apresentação do projeto (PDF) →

Especificações técnicas:
Fotos da coleção particular da autora @adricacoelho, registrados pela câmera do celular entre 2017 e 2021, nas cidades de Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Pelotas/RS, Passos Maia/SC e Palmas/PR. Colaboração de @minimalismo_analogico com fotos de Niterói e do centro do Rio de Janeiro.
O miolo foi costurado artesanalmente. Na capa foram usadas diversas técnicas como estêncil e gravuras em tinta guache e tinta tipográfica, enquanto a quarta capa foi produzida coletivamente pelo grupo @skatemodaflor com tinta spray direto no papelão, que depois foi recortado como peças de um grande quebra-cabeças. Também colaboraram neste projeto @cooperativadearte, @uberbau_house e o artista argentino @felixtorrez77, do grupo @g_r_a_s_a_.

Sobre a autora:
Adriene Coelho é pedagoga e artista visual. Natural de Minas Gerais, atualmente reside em Palmas, Paraná. Desde 2017 participa de residências artísticas e integra a equipe de trabalho COOPERATIVA DE ARTE, abordando diferentes problemáticas artísticas e culturais da América Latina, sempre com um olhar para as possibilidades pedagógicas e de inserção comunitária nos seus trabalhos. Trabalha na produção e tradução de fanzines e artigos sobre arte contemporânea e processos sociais e participa de oficinas de escrita literária e produção gráfica. Tem produzido textos e fanzines para autopublicação e colaborações, onde também exercita processos de encadernação artesanal, fotografia e experimentações gráficas como gravura e colagem.

estou presente
DIEGO MARTINS

ESTOU PRESENTE conta com 28 imagens fotográficas capturadas com celular entre o mês de setembro e novembro 2021. O número de imagens reflete o múltiplo de 7, das linhas de Umbanda. O livro aberto também guarda essa proporção em seus 140 cm, que poder ser visualizado de braços abertos, inclusive com imagem dos dois lados. Ele pode representar a ausência do mundo em relação ao outro, ou seja, a falta de alteridade que temos presenciado diariamente. E vai além, para representar os guardiões dos nossos caminhos, aqueles que nos ajudam a vencer obstáculos, mesmo em momentos que não enxergamos esperança. Ainda, aqueles que nos ajudam a nos livrar de nossas sombras no processo de evolução diário, protegem a todos das energias que nos atrapalham a viver. Cabe ao espectador encontrar a história que vale para o seu momento, ou criar uma nova para o seu livro. A tiragem do livro é de no máximo 28 exemplares, confeccionados sobre demanda, já que sua capa é feita pessoalmente pelo artista, o que gera singularidade em cada dobra pela energia aplicada em sua produção. Reflita e seja grato sempre. Laroyê.

Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Especificações Técnicas:
Miolo
Fotografia digital – 28 imagens
Livro no formato accordion (sanfona)
Formato fechado 11,5 X 8,75 cm
Formato aberto 11,5 X 140 cm
Impressão: Laser sobre papel de 210 g/m²
Acabamento: Laminação bopp fosco
Capa
Papel Mi-teintes – 180 g/m²
Modelo Crown Book, executado manualmente – referência Hide Kyle
Formato 17,5 X 12,5 cm
Papel adesivo fotográfico glossy com impressão jato de tinta

Sobre o autor:
Diego Martins é artista visual com ênfase na imagem fotográfica. Estão entre seus interesses de pesquisa, manipulação de imagem, construção de equipamentos fotográficos artesanais, a interação humana com sistemas tecnológicos, design e as religiões afro-brasileiras. Graduado em Artes Visuais na Universidade de Brasília (UNB). Foi docente do Tecnólogo em Fotografia da UPIS/DF e fotógrafo de eventos sócias. Nascido e com residência em Brasília, DF.

INVISÍVEIS
GILMA MELLO
Este livro foi idealizado a partir de uma instalação composta por 21 telas que medem 1m x 3m de altura. Impressas com placas de ferro, cobre e sublimação, usei autorretratos sobre tecido translucido. Com este trabalho, questiono as condições sociais do Idoso na atual sociedade. Quero demonstrar a importância de refletir sobre as condições das pessoas que ultrapassam uma fase da vida, como se fosse um limite, uma linha de chegada, mas que na verdade não se chega a lugar nenhum, apenas nos tornamos apagados socialmente. Porque nos tornamos invisíveis? Através das minhas pesquisas sobre o assunto, me deparei com um novo termo “velhofobia” que define este estado de ser de algumas pessoas. Apesar dos avanços da ciência e da medicina e da diversidade de produtos e serviços oferecidos a este público, ainda existe uma resistência, por parte da maioria da população em aceitar as pessoas mais velhas e suas singularidades.
Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Sobre a autora:
Natural do Rio de Janeiro, resido em Florianópolis. Ingressei nas artes plásticas através das oficinas de artes do Centro Integrado de Cultura em 1983.onde participei de vários curso e oficinas. Fundei o grupo de estudos e pesquisas junto com a artista plástica Iolanda Pereira em 1986. Desenvolvi um tema relacionado com símbolos e sinais, através de colagem com papel artesanal que produzia. Atualmente meu trabalho é híbrido, onde misturo fotografia conceitual, colagem, pintura com pigmentos minerais e impressões com placas de ferro sobre canvas e/ou voal Participei de várias exposições coletivas, salões de fotografia, feiras de arte e três exposições individuais.

A TORRE DERRUBADA
LEANDRO GUTUM

Por meio de uma narrativa visual autorreferencial, o projeto A torre derrubada propõe uma reflexão ao redor da ideia do corpo enquanto instrumento para a expressão da identidade e conhecimento do indivíduo sobre si. A materialização deste relato acontece na interlocução entre o corpo, a matéria-prima fotográfica e o livro.

Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Apresentação do projeto (PDF) →

Sobre o autor:
Leandro Gutum (1983), brasileiro, vive e trabalha em São Paulo (SP), é de­signer e artista. Sua pesquisa autoral abrange manipulação da imagem fotográfica, investigação de processos de impressão e a relação entre imagem, borda, suporte, enquadramento e composição na construção da linguagem visual. É especialista em design gráfico pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (2011) e especia­lista em direção de arte pela Elisava School of Design and Engineering (2017) de Barcelona. Estudou processos gráficos em xilogravura com Paulo Camillo Penna no ateliê de gravura do Museu Lasar Segall e processos gráficos em serigrafia na Academy Print Workers de Barcelona. Em seu estúdio, projeta livros e exposições de arte para instituições culturais e museus. Em 2016 ganhou o prêmio de mérito no prestigiado How International Design Awards (EUA). Por dois anos consecutivos foi premiado com ouro no Clap – Premios Internacionales de Diseño (Espanha). Em 2019 recebeu o prêmio de destaque na 13ª Bienal Brasileira de Design Gráfico (Brasil), em 2020 foi premiado no Latin American Design Awards (Peru) e em 2021 foi finalista no Brasil Design Award BDA (Brasil). É autor do livro de artista Vestigium. @leandrogutum

ALDEBARÃ
MAZÉ MARTINS

O projeto Aldebarã nasce de uma reflexão sobre o futuro e suas possibilidades em aberto. Para onde levará o caminho que nos afasta da natureza concreta das percepções sensoriais e nos aproxima do artificialismo abstrato e binário de um universo feito de plástico?

“Pensar é essencialmente errar. Errar é essencialmente estar cego e surdo”
Alberto Caeiro

Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Apresentação do projeto (PDF) →

Especificações Técnicas:
– Livro-dobradura, livro-objeto
– Formato fechado 10 X 10 cm
– Formato aberto 28 X 28 X 14 cm
– Série Prata: Impressão: Laser sobre papel Color plus Mar del Plata, 250 g/m²
– Série Ouro: Laser sobre papel Curious Metallics Gold Leaf 120 g/m²
– Acondicionamento em caixa acrílica 3mm, gravação em serigrafia
– Cinta de fechamento com impressão a laser
– Colofão impresso a laser em papel Canson Calque Satin 110 g/m²
– Fontes: Star Jedi e Segoe Script

Sobre a autora:
Mazé Martins, carioca de nascimento, mora em Brasília, onde cresceu, estudou, trabalhou e criou os filhos. A cidade é a aldeia em que fixou raízes e para a qual sempre volta, depois das frequentes viagens interrompidas durante a pandemia. Foi o gosto pelas viagens que a conduziu à fotografia. Não o mero registro factual de lugares exóticos e situações insólitas, mas, principalmente, a sutil viagem interior, inexprimível em palavras. Atualmente trabalha no desenvolvimento de uma abordagem autoral e contemporânea, sensível às questões sociais e ambientais do século XXI.

CINE CASA
RÉGIS AMORA
Existe um perímetro específico no centro da cidade de Fortaleza em que as residências dividem espaço com cinemas de filmes eróticos. A singularidade, para além disso, está no fato de que todos esses cinemas funcionam também em casas antigas, agora destinadas a este fim. Há alguns anos o artista Régis Amora registra essas arquiteturas do desejo, lugares em que homens adentram o breu para se encontrarem, onde desejo e repulsa andam de mãos dadas. Para fotografar os espaços nunca foi solicitada autorização. Adentrar essa atmosfera como um espectador comum e ir se esgueirando por entre as frestas, perdendo-se e também encontrando-se nesses labirintos é o gesto artístico e proposição – convite – provocação para o leitor.
Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Sobre o autor: Artista que faz uso de diversos tipos de mídia dedicando-se, atualmente, a investigar as relações entre arquivo, memória e performatividades de gênero em seu trabalho. Membro fundador do Descoletivo. Diretor de Comunicação do Ifoto – Instituto da Fotografia do Ceará (gestão 2014 – 2015). Finalista do prêmio La Salita, na Espanha, com o ensaio Corpos. Circulou com seu trabalho em festivais internacionais de fotografia como Outono Fotográfico, na Galícia e Encontros da Imagem, em Portugal. Lançou, junto ao Descoletivo as publicações Séries sobre o Sutil e Tempo Imperfeito. Em 2018 é premiado no 69º Salão de Abril com o trabalho CINE CASA. Em 2019 abre a exposição Linha de Costa, junto ao Descoletivo, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará. Dirigiu, em 2020, a websérie DIVINE VIVE. Atualmente, finaliza a edição da publicação Atlas Drag, parte do projeto A Estética da Montação.
BELAS
SILVIA F. LIMA
BElas é um livro de artista com cinco folhas duplas com o desenho de mulheres de etnias e povos diferentes e uma gradação de cores da pele para demonstrar que todas as mulheres são bonitas independente de sua etnia, cultura e cor. Foi impresso a colher de bambu cada dupla de matrizes constantes na folha, mais um sinal semelhante a uma estrela que vai mudando de cor e ao mesmo tempo de localização na folha, com o intuito de marcar a mudança das folhas e ao mesmo tempo as gradações de cores. Foi escolhida a encadernação japonesa para destacar a qualidade do papel assim como fazer referência ao primeiro tipo de encadernação. O principal foi destacar a beleza e delicadeza das figuras femininas.
Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Especificações técnicas:
Livro de artista com dez linogravuras de rostos de mulheres com etnias diferentes em diferentes tonalidades de cor da pele sobre papel arroz.
Capa em papel Bambu Telha.
Costura japonesa Kikko Toji ou Tartaruga, com fio de algodão encerado cor café.
Carimbos de EVA com MDF em cor sépia.
Dimensão:15 x 19cm.

Sobre a autora:
Sílvia F Lima artista visual especialmente em gravuras: xilogravura de fio e topo, serigrafia, linogravura, calcogravura e técnicas mistas, como cologravura , gravuras com papel cartonado e gravuras com acrílico, entre outros materiais . Professora de língua portuguesa com mestrado em comunicação e semiótica e doutorado em artes visuais pela UNICAMP. www.silviaferreiralima.com

CASTELOS E RUÍNAS
TELIO PACHECO

O objeto artístico Castelos e Ruínas traz à tona a invisibilidade do cotidiano, tratando de ruínas no significado da própria palavra relativo a ruir, cair arquitetonicamente, vestígio, marcas, um não lugar, mas se refere também ao conjunto de obras que não atendem seu propósito de ser um espaço público democrático, que conecte pessoas e estimule a convivência e a troca.
Trata da “invisibilidade” de espaços que foram projetados para atender a comunidade, mas que por motivos diversos se tornaram ruínas ou não podem ser utilizados para a sua função primordial, sua razão de existir.

Reproduzir vídeo

CONHEÇA MAIS

Apresentação do projeto (PDF) →

Especificações Técnicas (PDF) →

Sobre o autor:
Télio Luiz é Artista Fotográfico e Engenheiro Civil, pós-graduado em Fotografia como Suporte para a Imaginação. Especialista em Gerenciamento de Projetos e Modelagem de processos, utiliza estas metodologias em seus Projetos Fotográficos. Em 2015 iniciou estudos para utilização dos Processos Fotográficos Históricos e desde então produz trabalhos e ministra cursos de Cianotipia, Papel Salgado, Marrom Van Dyke, Goma Bicromatada, Pinhole, Gumoil, Antotipia e Fitotipia. A partir da experiência de produção de livro de artista, com o suporte da equipe do Dobras de Si, passa a inserir também a Cartonagem e o Livro de Artista em seus estudos. Instagram: @telioluiz

Sobre

Sobre o curso Dobras de Si

Dobras de Si é um curso livre de livro de artista, 100% online, que oferece orientação para a concepção de obras poéticas individuais no formato de livros, além de uma exposição coletiva virtual e presencial.

É orientado por Estela Vilela e Ana Francotti, além da participação de convidados de diferentes áreas do livro. É planejado de forma a oferecer uma série de recursos práticos e teóricos, dentro de um cronograma projetado para nutrir a realização de trabalhos autorais que utilizem o livro como suporte.

Sua quarta edição está prevista para o primeiro semestre de 2022, caso tenha interesse em participar, preencha nosso formulário, e conheça também o site da última edição.

Acompanhe as novidades pelo Instagram @dobrasdesi.